quarta-feira, 28/10/2026

Experiência de usuário de cetamina revela impactos significativos na saúde ao longo dos anos

Megan Harmes, aos 24 anos, enfrenta as consequências de uma dependência que começou na adolescência. Após quatro semanas em um programa de reabilitação, ela relata uma melhora física significativa, embora os danos à bexiga…

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Megan Harmes, aos 24 anos, enfrenta as consequências de uma dependência que começou na adolescência. Após quatro semanas em um programa de reabilitação, ela relata uma melhora física significativa, embora os danos à bexiga provocados pelo uso de cetamina ainda sejam uma incógnita. A jornada de Megan é um reflexo de um problema crescente: a dependência de cetamina, uma droga que, apesar de sua aplicação médica como anestésico, tem se mostrado devastadora para muitos jovens.

Desde sua reclassificação como droga da classe B no Reino Unido em 2014, o uso recreativo da cetamina aumentou, particularmente entre a população jovem. A Kaleidoscope, entidade que oferece suporte para dependentes, reporta um aumento alarmante no número de encaminhamentos para tratamento, passando de apenas duas pessoas em 2021 para 112 em 2023. Esse crescimento é especialmente notável entre jovens de 18 a 24 anos, que buscam ajuda para problemas relacionados ao uso da substância.

O impacto do uso indiscriminado de cetamina é profundo. Megan, por exemplo, começou a usar a droga durante o confinamento da pandemia, quando a acessibilidade aumentou e seus colegas também se voltaram para o consumo. Ela compartilha que a cetamina se tornou uma forma de lidar com transtornos como TDAH e borderline, mas a um custo alto: a perda de sua dignidade, refletida pelo uso de absorventes para problemas de incontinência. “Agora que estou sóbria, sou muito hiperativa. A droga praticamente reprimia tudo”, diz Megan, mostrando como a substância alterou sua vida.

O tratamento para dependentes de cetamina, no entanto, é um campo ainda em desenvolvimento. Jo Moore, da clínica Birchwood, observa que a adaptação dos serviços de reabilitação é crucial, já que muitos pacientes são mais jovens e apresentam problemas de saúde complexos. O médico Darren Quelch ressalta que as consequências do uso de cetamina podem surgir mais rapidamente do que aquelas associadas a outras drogas, tornando a abordagem médica ainda mais desafiadora.

O aumento no consumo da droga não é um fenômeno isolado. A pesquisa indica que cerca de 264 mil pessoas entre 16 e 59 anos no Reino Unido usaram cetamina de forma ilegal em 2024. No Brasil, estudos recentes apontam a presença da droga em festivais, evidenciando a expansão do problema.

Pacientes como Mark, que também compartilhou sua experiência de vida marcada pela dependência, revelam a gravidade dos efeitos da cetamina. Ele descreve uma deterioração da saúde que o fez sentir-se como se tivesse o corpo de uma pessoa de 80 anos. A vergonha e a solidão que acompanhavam sua dependência deixaram marcas profundas, e sua luta pela recuperação é um testemunho da necessidade de um suporte mais eficaz para aqueles que enfrentam esse desafio.

À medida que as organizações de saúde tentam se adaptar a essa nova realidade, a importância de um atendimento humanizado e sem preconceitos se torna evidente. O apoio de pessoas que já viveram a experiência da dependência tem se mostrado um componente essencial para a recuperação. O caminho é longo e cheio de obstáculos, mas a determinação de jovens como Megan e Mark em ajudar outros reflete uma luz de esperança em meio a um cenário desafiador.