Monica Thomas, fundadora da organização beneficente Women’s Health Hope, carrega uma história de luta e superação em meio a um diagnóstico tardio que poderia ter sido evitado. Quando jovem, ela começou a sentir coceira e dor na região íntima, mas, após diversas consultas médicas, seus sintomas foram descartados como simples candidíase, deixando-a em um ciclo de dor e incerteza.
Após ser examinada 28 vezes em seis meses, finalmente recebeu o diagnóstico de líquen escleroso, uma condição inflamatória crônica que afeta predominantemente mulheres. “Fiquei acamada por um longo período porque não conseguia andar”, relata Monica, que hoje tem 34 anos e vive em Suffolk, na Inglaterra. A condição provoca desconforto intenso, manifestando-se com manchas brancas, coceira e dor, o que pode impactar gravemente a qualidade de vida da paciente.
A falta de conhecimento sobre saúde ginecológica e o tabu que cerca o tema são pontos levantados por Monica, que se sente constrangida ao buscar ajuda médica. “Mesmo quando vamos ao médico, o constrangimento de ter de tirar a roupa é embaraçoso”, reflete. Essa situação é comum entre muitas mulheres, que frequentemente enfrentam dificuldades em discutir suas condições de saúde íntima.
Dados sobre a prevalência do líquen escleroso ainda são escassos, mas uma pesquisa da Universidade de Bristol sugere que a condição pode afetar cerca de 1% das mulheres, embora esse número possa ser uma subestimação, dadas as dificuldades no diagnóstico precoce. A médica Nighat Arif, especialista em saúde da mulher, destaca que a condição é frequentemente confundida com doenças sexualmente transmissíveis e que existe um estigma que impede muitas mulheres de buscar tratamento.
A história de Clare Baumhaeur, que começou a apresentar sintomas aos cinco anos, ecoa as dificuldades enfrentadas por Monica. Após anos de diagnósticos errados, Clare recebeu a notícia de que tinha líquen escleroso e câncer de vulva. “Nunca tinha ouvido falar de líquen escleroso”, afirmou, ressaltando a falta de informações que permeia o atendimento à saúde feminina. Assim como Monica, ela acredita que um diagnóstico mais precoce poderia ter mudado o curso de sua doença.
Ambas as mulheres se tornaram defensoras da conscientização sobre essa condição, enfatizando a importância de conhecer melhor os próprios corpos e buscar múltiplas opiniões médicas. Monica recomenda que qualquer um que perceba mudanças em seu corpo mantenha um diário e se informe sobre a condição, utilizando recursos como o site Lichen Sclerosus Guide para facilitar a comunicação com profissionais de saúde.
A experiência de Monica e Clare destaca a urgência de romper tabus e promover um diálogo aberto sobre saúde ginecológica, para que outras mulheres não passem pelo mesmo sofrimento e isolamento que elas enfrentaram.




