quarta-feira, 28/10/2026

Anvisa relata nove óbitos associados ao uso compassivo de polilaminina e estabelece novas diretrizes; pesquisadora levanta questionamentos.

A recente decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de restringir o uso compassivo da polilaminina gerou um intenso debate no meio científico e entre os pacientes. A medida foi tomada após a…

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A recente decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de restringir o uso compassivo da polilaminina gerou um intenso debate no meio científico e entre os pacientes. A medida foi tomada após a confirmação de nove mortes associadas a aplicações da substância, embora o laboratório responsável, Cristália, tenha afirmado que essas fatalidades não estão diretamente ligadas ao tratamento. A polilaminina, uma proteína que promete auxiliar na regeneração de lesões medulares, está em uma fase crucial de avaliação e sua aplicação tem sido alvo de controvérsia.

A pesquisadora Tatiana Sampaio, que lidera os estudos sobre a polilaminina, não poupou críticas à Anvisa em um vídeo nas redes sociais, onde afirmou que a nova política impõe restrições severas que dificultam o acesso dos pacientes ao tratamento. “Agora tudo depende de uma correria louca, que poucas pessoas conseguem cumprir”, desabafou. A nova regra limita o uso da substância a pacientes com lesões de até 72 horas, localizadas entre as vértebras T2 e T10, enquanto antes permitia a aplicação em um espectro mais amplo de condições.

A Anvisa afirma que a decisão foi baseada em uma avaliação de risco-benefício, após identificar que as mortes ocorreram em pacientes fora do protocolo de pesquisa estabelecido. Em uma consulta com especialistas renomados, a agência recebeu recomendações para não expandir o uso compassivo da polilaminina, destacando preocupações sobre a segurança e a complexidade do procedimento de aplicação.

Enquanto isso, o laboratório Cristália se compromete a respeitar as diretrizes da Anvisa e se afastou das acusações de interferência na regulação. A instituição reiterou sua confiança na agência, enfatizando a importância de seguir padrões rigorosos para garantir a segurança dos pacientes.

O uso compassivo, que permite que pessoas em situações críticas recebam tratamentos experimentais, é um direito garantido desde 2013, mas agora enfrenta novos desafios. Tatiana Sampaio defende que as regras devem ser flexibilizadas, permitindo que pacientes com lesões mais antigas também tenham acesso à polilaminina, sugerindo que pesquisas anteriores com animais indicam a possibilidade de melhorias mesmo após longos períodos de paralisia.

A discussão em torno da polilaminina é um reflexo mais amplo das tensões entre a necessidade urgente de tratamentos e a cautela necessária para garantir a segurança dos pacientes. O caso destaca a complexidade do processo regulatório e a importância de um equilíbrio entre inovação e segurança na medicina moderna. À medida que o laboratório se prepara para iniciar um estudo clínico mais abrangente, a expectativa é que a saúde e a segurança dos pacientes permaneçam como prioridade, mesmo diante das pressões por soluções rápidas.

Crédito da imagem: Testes ainda não garantem a segurança da polilaminina