quarta-feira, 28/10/2026

Diagnóstico de câncer de mama revela condição cardíaca rara em jovem e possíveis causas para morte súbita maternal

A história de Patrícia Biscaro é um retrato contundente da fragilidade da saúde e das reviravoltas que a vida pode apresentar. Após concluir um tratamento de câncer de mama agressivo, ela foi submetida a…

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A história de Patrícia Biscaro é um retrato contundente da fragilidade da saúde e das reviravoltas que a vida pode apresentar. Após concluir um tratamento de câncer de mama agressivo, ela foi submetida a uma ressonância cardíaca, como precaução para descartar possíveis sequelas da quimioterapia. O que seria um procedimento corriqueiro revelou uma má-formação cardíaca rara, que ela carregava desde o nascimento, mas que nunca havia sido diagnosticada. Essa descoberta trouxe à tona memórias dolorosas, como a morte súbita de sua mãe, que Patrícia presenciou aos 18 anos.

Ao longo de sua trajetória, Patrícia enfrentou uma série de desafios médicos. Em 2018, aos 32 anos, foi diagnosticada com um câncer de mama triplo negativo, um subtipo cuja agressividade é notória. A detecção precoce, que deveria ser um aliado, falhou em sua situação: o ultrassom realizado apenas sete meses antes não havia indicado anomalias. A insistência de Patrícia em realizar um exame adicional acabou por salvar sua vida, ao possibilitar um tratamento rápido e eficaz.

Após um ano de quimioterapia, cirurgia e radioterapia, ela foi considerada em remissão completa. No entanto, os sintomas persistentes, como dores nas articulações e manchas roxas, levaram Patrícia a buscar respostas. O que parecia ser um resquício do tratamento oncológico se transformou em uma nova batalha: a disautonomia grave, resultante de uma falha no sistema nervoso autônomo, que afetava sua pressão e ritmo cardíaco. A investigação revelou ainda a síndrome de Ehlers-Danlos, uma condição genética que afeta o tecido conjuntivo e que, apesar de raramente ser associada a problemas cardíacos, apresentou-se como um novo desafio em sua vida.

O implante de um desfibrilador, um “anjo da guarda” para monitorar e proteger seu coração, foi uma decisão necessária. Para Patrícia, essa intervenção foi um desdobramento de sua jornada com o câncer, que acabou por revelar problemas que poderiam ter permanecido ocultos. “Sem o câncer, eu não teria descoberto o problema no coração”, reflete, evidenciando a interconexão entre suas experiências de saúde.

Atualmente, Patrícia vive com limitações impostas pela disautonomia e se adapta a uma nova rotina, onde cada saída é cuidadosamente planejada. No entanto, sua resiliência a levou a criar um negócio inovador: o Oncoplanner, uma agenda que ajuda pacientes a organizar suas consultas e tratamentos. Essa iniciativa não apenas representa uma forma de lidar com suas próprias dificuldades, mas também se tornou uma ferramenta valiosa para outros que enfrentam desafios semelhantes.

Com a recente descoberta de um câncer de tireoide, Patrícia continua a sua luta, questionando a relação entre suas condições de saúde. Embora a ciência ainda não tenha estabelecido vínculos claros entre a síndrome de Ehlers-Danlos e o câncer, sua história é um lembrete da complexidade da saúde humana e da necessidade de uma abordagem holística no tratamento de doenças. Patrícia, que já superou tantas adversidades, agora se vê em um novo capítulo de sua jornada, demonstrando que a esperança e a determinação são fundamentais, mesmo diante do desconhecido.

Crédito da imagem: A empresária Patrícia Biscaro