Allison Vecchio, uma enfermeira de 42 anos de Fort Pierce, Flórida, descreve sua experiência com medicamentos à base de GLP-1 como um divisor de águas, mas não sem custos. Embora tenha notado melhorias significativas em sua saúde, ela enfrentou efeitos colaterais, como desconforto gastrointestinal e fraqueza extrema. Para lidar com esses sintomas, Vecchio recorreu a um conjunto de suplementos, que inclui fibras, colágeno e eletrólitos, totalizando entre US$200 e US$300 por mês. “É preciso realmente assumir o controle”, afirma, destacando a importância de transformar a perda de peso em um verdadeiro avanço na saúde.
Os medicamentos GLP-1, como Ozempic e Wegovy, têm revolucionado o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, sendo utilizados por cerca de 10 milhões de norte-americanos em 2022, com a projeção de que esse número chegue a 25 milhões até 2030, segundo uma pesquisa do JPMorgan. Entretanto, os efeitos colaterais enfrentados por muitos usuários têm impulsionado uma busca crescente por suplementos alimentares que, embora pouco regulamentados, prometem aliviar os sintomas.
A indústria de suplementos nos Estados Unidos tem experimentado um crescimento vertiginoso, ultrapassando a marca de US$74 bilhões em 2025, conforme o Nutrition Business Journal. Essa ascensão, em parte alimentada por influenciadores nas redes sociais, levantou preocupações sobre a falta de supervisão e o potencial de desinformação. As vitaminas e suplementos não precisam de aprovação prévia da FDA, o que dificulta a avaliação de sua eficácia científica.
Rob Fried, CEO da Niagen Bioscience, expressa preocupação com a manipulação do marketing digital, enfatizando que influenciadores podem fazer afirmações enganosas para aumentar as vendas. Nesse cenário, Vecchio e outras influenciadoras como Terri Hart, que possui mais de 12.000 seguidores no TikTok, têm se tornado vozes ativas na promoção de suplementos, muitas vezes baseando suas recomendações em experiências pessoais. Hart, que consome magnésio e vitamina B12 para combater os efeitos do GLP-1, reconhece a necessidade de um diálogo com profissionais de saúde.
De acordo com dados do Nutrition Business Journal, a TikTok Shop gerou mais de US$1 bilhão em vendas de suplementos em 2025, representando uma fração significativa do comércio eletrônico nesse setor. Essa plataforma está atraindo novos consumidores e ampliando o uso de suplementos já estabelecidos. Contudo, a falta de regulamentação prévia da FDA significa que muitos consumidores não têm clareza sobre o que estão ingerindo. Jonathan Bonnet, professor em Stanford, destaca que a incerteza sobre os componentes dos suplementos pode acarretar riscos desconhecidos.
Uma pesquisa recente revelou que quase 50% dos usuários de GLP-1 começaram a incorporar novas vitaminas e suplementos em suas rotinas, com probióticos, proteínas e fibras sendo os mais procurados. Além disso, os usuários estão gastando aproximadamente 20% a mais em suplementos após o início do tratamento com GLP-1, conforme a pesquisa do Boston Consulting Group. O cenário atual levanta questionamentos sobre a segurança e a eficácia dos suplementos, especialmente em um mercado onde a promessa de saúde é frequentemente vendida nas redes sociais.
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