quarta-feira, 28/10/2026

Câncer gástrico: uma condição muitas vezes assintomática e desafiadora para o diagnóstico precoce.

A saúde dos idosos muitas vezes fica à margem das discussões sobre saúde pública, mas isso está prestes a mudar com a realização do 1º Congresso Brasileiro sobre a Saúde Digestiva da Pessoa Idosa,…

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A saúde dos idosos muitas vezes fica à margem das discussões sobre saúde pública, mas isso está prestes a mudar com a realização do 1º Congresso Brasileiro sobre a Saúde Digestiva da Pessoa Idosa, o Gastro 70+, que ocorrerá em São Paulo nos dias 30 e 31 de outubro. Este evento se revela crucial em um contexto em que o aumento da longevidade na população brasileira traz consigo o aumento das doenças crônicas, como o câncer gástrico, que já representa entre 20 mil e 25 mil novos casos anualmente no país e pode ultrapassar os 40 mil até 2050.

Em entrevista, o gastroenterologista Luiz Gonzaga Vaz Coelho, professor titular da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais e pioneiro nos estudos sobre a bactéria Helicobacter pylori, destacou que a infecção por essa bactéria, adquirida na infância, pode ser um fator silencioso que leva ao desenvolvimento de câncer gástrico na vida adulta. “A H. pylori provoca uma inflamação assintomática que pode evoluir para o câncer em uma em cada cem pessoas ao alcançarem os 60 anos”, explicou o especialista.

As condições sanitárias precárias e a falta de acesso a serviços de saúde adequados agravam o risco de contágio por essa bactéria. Classificada pela Organização Mundial da Saúde como um carcinógeno do Grupo 1, a H. pylori é um dos principais fatores de risco para o câncer de estômago, ao lado do tabaco e do amianto. Países como Japão e Coreia já implementaram políticas públicas para rastrear a presença da bactéria na população, o que poderia servir como um modelo para o Brasil, onde a detecção precoce ainda é um desafio.

O tratamento da infecção por H. pylori é relativamente simples, mas o diagnóstico se complica pela ausência de sintomas. “A maioria das pessoas não sabe que está infectada até que seja tarde demais”, alertou Coelho. A endoscopia é um método tradicional para diagnóstico, mas existem alternativas menos invasivas que podem ser utilizadas, como o teste respiratório com ureia marcada.

Coelho também enfatizou a importância de cuidados especiais ao realizar endoscopias em pacientes acima de 70 anos, destacando que a avaliação deve considerar o estado geral de saúde do indivíduo. “É necessário pesar os benefícios clínicos contra os riscos de um procedimento”, disse. Em paralelo, a Federação Brasileira de Gastroenterologia lançou a campanha Setembro Rubi, que visa aumentar a conscientização sobre o câncer gástrico e desenvolver estratégias de rastreamento para grupos de risco, especialmente familiares de pessoas diagnosticadas com a doença.

Dados atuais indicam que indivíduos com histórico familiar de câncer de estômago têm de duas a três vezes mais chances de desenvolver a doença, o que torna a detecção precoce ainda mais vital. O Congresso Gastro 70+ se insere nesse contexto de urgência e necessidade de atenção à saúde da população idosa, que merece estar no centro das estratégias de saúde pública.

Os interessados em participar do Gastro 70+ poderão se inscrever e conferir a programação completa no auditório do Iamspe, em São Paulo. É uma oportunidade única para discutir temas relevantes e buscar soluções para os desafios que a saúde digestiva dos idosos impõe.

Crédito da imagem: Foto: Pixabay — geralt (pixabay)