A busca pela realização do sonho de ser pai ou mãe tem levado muitos brasileiros a cruzar fronteiras em busca de tratamentos de reprodução assistida. Em um cenário onde a legislação nacional ainda é restritiva, o exterior se torna uma alternativa viável, oferecendo opções como fertilização in vitro, doação de óvulos e gestação por substituição. Estas práticas, que em muitos casos são complexas no Brasil, encontram maior liberdade em países como Colômbia e Estados Unidos.
O mineiro L.M, de 46 anos, é um exemplo de quem se viu obrigado a buscar a paternidade fora do país. Após avaliar as opções disponíveis no Brasil, ele decidiu que a Colômbia seria o local ideal para trazer ao mundo seus dois filhos. “A barriga solidária não era uma alternativa viável para mim. Queria ter a certeza de que meus filhos teriam a documentação correta e eu seria reconhecido como pai”, relata, enfatizando a importância da legalidade e do reconhecimento familiar.
A advogada Larissa Mocelim, especialista em direito da família, destaca que a escolha do país para esses procedimentos deve levar em conta não apenas os custos, mas também a estrutura jurídica que cada local oferece. “Não é que seja mais fácil fora do Brasil, mas há países com legislações que proporcionam maior previsibilidade e segurança jurídica para os envolvidos”, explica. Essa análise é crucial, pois envolve questões delicadas como a definição de parentalidade e a documentação da criança, que são fundamentais para a construção da família desejada.
Os custos para esse tipo de tratamento variam amplamente. Nos Estados Unidos, por exemplo, o gasto pode chegar a impressionantes US$ 200 mil, enquanto países como a Colômbia oferecem pacotes que giram em torno de US$ 80 mil. T.M, de 50 anos, optou pela gestação por substituição na terra do café e teve sua filha em 2021. Sua escolha foi baseada na busca por um suporte jurídico e médico que garantisse um processo seguro e amparado. “Queria um contexto que me oferecesse segurança em todos os aspectos”, afirma.
O perfil dos brasileiros que recorrem a esses procedimentos é bastante diverso. Casais homoafetivos, pessoas que enfrentam infertilidade e aqueles que decidiram adiar a parentalidade são alguns dos grupos que buscam essas alternativas. A faixa etária predominante é, em geral, a de pessoas acima dos 35 anos, que já passaram por várias tentativas de reprodução assistida no país.
As histórias de quem busca a paternidade ou maternidade no exterior refletem não apenas a busca por um sonho, mas também a necessidade de um ambiente que ofereça amparo e segurança em um momento tão delicado. O desejo de formar uma família, independentemente das circunstâncias, impulsiona essa nova realidade, onde as fronteiras se tornam apenas mais um detalhe na jornada da parentalidade.




