A Anvisa anunciou, na última segunda-feira (19), a autorização para o uso do telisotuzumab vedotina, um novo tratamento destinado a adultos com câncer de pulmão de não pequenas células (CPNPC) avançado. Com essa decisão, o Brasil se destaca como o segundo país a aprovar a terapia, seguindo os Estados Unidos, que já havia dado o sinal verde por meio de uma aprovação acelerada da FDA.
Desenvolvido pela biofarmacêutica americana AbbVie, o telisotuzumab vedotina é voltado para pacientes cujo câncer de pulmão não escamoso está localmente avançado ou metastático e que já passaram por tratamentos anteriores. A eficácia do medicamento foi comprovada no estudo clínico de fase 2 LUMINOSITY, que revelou que 34,6% dos participantes apresentaram redução mensurável dos tumores, embora isso não signifique cura.
O câncer de pulmão, que representa a principal causa de morte por câncer globalmente, está em ascensão no Brasil. Em 2023, a doença causou mais de 31 mil mortes no país, e a expectativa é que novos casos ultrapassem 35 mil anualmente entre 2026 e 2028, conforme dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca).
Os efeitos colaterais mais frequentes associados ao telisotuzumab vedotina incluem neuropatia periférica, fadiga, diminuição do apetite e edema periférico. A terapia atua como um anticorpo-droga conjugado que mira a proteína c-Met, a qual pode estar superexpressa em cerca de 25% dos casos de CPNPC não escamoso avançado, um fator que está ligado a um prognóstico desfavorável.
Apesar da aprovação da Anvisa, a comercialização do medicamento no Brasil depende ainda da avaliação de preço pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). A previsão é que essa etapa seja finalizada até o primeiro semestre de 2027. É importante ressaltar que a inclusão do telisotuzumab vedotina no Sistema Único de Saúde (SUS) não é automática, exigindo uma avaliação adicional pela Conitec para sua incorporação na rede pública.




