Consuelo Walss-Bass, renomada bioquímica e geneticista, mergulhou em um tema profundamente pessoal e angustiante: a esquizofrenia que afetou sua mãe e sua irmã, Paty. Em seu livro, “Por que a Minha Irmã?”, previsto para lançamento em 2026, ela une suas experiências familiares com a pesquisa científica, explorando a complexidade da doença mental que moldou sua vida. A história começa com uma simples, mas poderosa, pergunta: “Por que minha irmã tem esquizofrenia e eu não?”
A resposta não é simples e, para Consuelo, envolve uma combinação de fatores genéticos e ambientais, uma verdadeira tempestade perfeita que pode desencadear a condição. Sua irmã Paty, a quarta de cinco irmãos, enfrentou a doença em meio a um contexto familiar desafiador, onde a ausência emocional da mãe, devido à própria esquizofrenia, teve um impacto significativo em seu desenvolvimento.
Walss-Bass compartilha suas lembranças de uma infância marcada por alucinações e delírios que tornaram a mãe uma figura distante, uma transformação que começou a se intensificar quando Consuelo ainda era adolescente. Ao relembrar esses momentos, ela revela a luta interna de separar a mãe da doença, um processo doloroso que afetou toda a família.
Em uma conversa com a BBC News Mundo, a cientista reflete sobre o impacto da esquizofrenia na dinâmica familiar e no desenvolvimento de Paty, ressaltando como a falta de apoio e a solidão durante a infância contribuíram para o surgimento da doença. “Paty não teve o amor de mãe. Este foi seu primeiro trauma”, afirma. Para Consuelo, a compreensão de que os sintomas da esquizofrenia podem se manifestar de forma sutil e gradual é crucial para o reconhecimento precoce e o tratamento adequado.
Ela também aborda a culpa que a acompanhou ao longo dos anos, questionando se poderia ter feito algo para evitar o sofrimento da irmã. Com o tempo, aprendeu a lidar com esse sentimento, reconhecendo que a doença muitas vezes escapa ao controle da família e que é fundamental entender o sofrimento das pessoas afetadas. “Não é culpa de ninguém”, afirma, enquanto ressalta a importância de uma rede de apoio para pacientes e suas famílias.
Atualmente, Paty vive com Consuelo e sua família, e apesar dos desafios, a relação entre as irmãs evoluiu para um vínculo forte e carinhoso. A rotina que Consuelo criou para Paty, repleta de atividades e interações, tem sido essencial para seu bem-estar. “Saber o que irá acontecer todos os dias traz tranquilidade e segurança para ela”, explica.
A trajetória de Walss-Bass na pesquisa de esquizofrenia não é apenas uma busca acadêmica, mas uma jornada pessoal. Ao deixar sua carreira na oncologia para se dedicar à psiquiatria, ela deu voz a uma experiência que, por muito tempo, foi silenciada. A combinação de sua formação científica e suas vivências familiares a posiciona como uma importante referência no campo da saúde mental.
Com seu livro, Consuelo não apenas busca entender a experiência da esquizofrenia em sua família, mas também deseja desmistificar a condição e reduzir o estigma associado a ela. “Entender que eles não conseguem controlar é importantíssimo”, conclui, enfatizando que a empatia e o conhecimento são chaves para transformar a percepção social sobre a doença. Embora a pergunta que dá título ao seu livro permaneça sem resposta, a esperança de que a ciência avance e traga novas compreensões e tratamentos nunca foi tão forte.




