quarta-feira, 28/10/2026

Médicos investigam relação entre convulsões menstruais e possível endometriose cerebral em paciente

Em um intrigante relato publicado no Journal of Clinical Medicine, pesquisadores da Universidade de Medicina e Farmácia Grigore T. Popa, na Romênia, documentaram um caso raro que liga epilepsia e endometriose cerebral. O estudo…

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Em um intrigante relato publicado no Journal of Clinical Medicine, pesquisadores da Universidade de Medicina e Farmácia Grigore T. Popa, na Romênia, documentaram um caso raro que liga epilepsia e endometriose cerebral. O estudo destaca a trajetória de uma mulher de 41 anos que, ao experimentar suas primeiras crises epilépticas, encontrou um padrão curioso: os episódios ocorriam exclusivamente durante seu período menstrual.

A paciente começou a apresentar convulsões em fevereiro de 2019, apresentando sintomas como perda de consciência e lapsos de memória. Sem histórico familiar de epilepsia e sem sintomas típicos de endometriose, ela buscou avaliação neurológica apenas seis meses após o início das crises. Ao acompanhar a incidência das convulsões em relação ao ciclo menstrual, ficou evidente uma correlação que levou os médicos a investigar mais a fundo.

A primeira ressonância magnética revelou uma lesão no hipocampo direito, uma região do cérebro associada à memória e à epilepsia. A partir de então, novas investigações foram realizadas, mas o diagnóstico inicial se mostrava desafiador, com os radiologistas considerando outras possibilidades, como tumores ou infecções. A verdadeira reviravolta ocorreu quando a relação entre as convulsões e o ciclo menstrual levou os especialistas a considerar a endometriose cerebral, uma condição extremamente rara.

O tratamento com hormônios começou em 2021 e teve um impacto significativo: as convulsões cessaram completamente e, em uma ressonância de 2026, a lesão já não estava mais visível. Essa resposta ao tratamento hormonal foi considerada um indicativo forte da presença de endometriose cerebral, embora o diagnóstico ainda fosse considerado “presumido” devido à falta de biópsia.

A relação entre hormônios e epilepsia é complexa. A condição diagnosticada na paciente, chamada epilepsia catamenial, afeta uma parte significativa das mulheres em idade fértil com epilepsia. O estrogênio tende a aumentar a excitabilidade das células nervosas, enquanto a progesterona oferece um efeito calmante. Essa dinâmica hormonal é crucial para entender por que as convulsões da paciente estavam ligadas ao ciclo menstrual.

Embora o estudo ofereça uma nova perspectiva sobre a relação entre endometriose e epilepsia, ele também levanta questões sobre a validade do diagnóstico sem a confirmação por meio de uma biópsia. As hipóteses sobre como o tecido endometrial poderia alcançar o cérebro ainda são especulativas, e o caso da paciente é uma exceção, não uma regra. Apenas oito casos de endometriose cerebral foram documentados anteriormente, e a maioria não apresentou lesões no hipocampo.

A conclusão dos pesquisadores ressalta a importância do acompanhamento cuidadoso de pacientes que apresentem crises epilépticas com um padrão cíclico. O relato não deve ser interpretado como um indicativo de que a endometriose cerebral seja uma condição comum, mas sim como um lembrete da complexidade da interação entre hormônios e saúde neurológica. A busca por respostas continua, impulsionando a necessidade de mais estudos sobre esta conexão inusitada.