quarta-feira, 28/10/2026

Novo exame de sangue para diagnóstico de Alzheimer é disponibilizado no Brasil: informações sobre elegibilidade, custos e interpretação dos resultados

A partir de hoje, o Brasil conta com uma nova ferramenta para a detecção precoce do Alzheimer: um exame de sangue que identifica a proteína p-tau217, um marcador biológico da doença. Este teste, oferecido…

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A partir de hoje, o Brasil conta com uma nova ferramenta para a detecção precoce do Alzheimer: um exame de sangue que identifica a proteína p-tau217, um marcador biológico da doença. Este teste, oferecido exclusivamente pelo Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, promete simplificar o diagnóstico, podendo evitar métodos mais invasivos como a punção lombar e exames de imagem.

Com um custo estimado em R$ 3 mil, o exame destina-se a pacientes que já apresentam sintomas e suspeita clínica de Alzheimer. É importante ressaltar que um resultado positivo não é conclusivo para a demência, e, até o momento, não há previsão para que o teste seja disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O Ministério da Saúde ainda não recebeu demanda para a avaliação do exame pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).

A p-tau217, uma variante da proteína tau, está associada ao acúmulo de placas de beta-amiloide no cérebro, características do Alzheimer. Assim, o exame não mede a demência diretamente, mas sim um indicador dessas alterações. A análise é realizada em um equipamento automatizado, o que assegura maior consistência nos resultados entre diferentes laboratórios.

De acordo com Eduardo Zimmer, responsável pela implementação do exame no hospital, cerca de 15% a 20% dos resultados são inconclusivos, o que pode levar os médicos a solicitar exames adicionais, como PET ou análise do líquor. Os dados iniciais sobre a acurácia do teste são promissores, com uma taxa de concordância de 89% a 94% em comparação com métodos tradicionais.

O teste é voltado para pessoas acima de 50 anos com queixas cognitivas confirmadas, sendo que um simples esquecimento sem outros sinais não justifica a realização do exame, conforme alerta Renato Anghinah, professor de neurologia. O exame de sangue, embora promissor, ainda não se destina a quem não apresenta sintomas, e resultados positivos nesse grupo não possuem interpretação estabelecida.

Atualmente, a confirmação da doença depende principalmente de métodos como PET amiloide e análise do líquor, ambos com alto custo e invasividade. O novo exame de sangue se apresenta como uma alternativa menos onerosa e menos desconfortável, com acurácia comparável.

Apesar da expectativa de que o teste seja incorporado ao SUS, a realidade é que ainda há um longo caminho a ser percorrido. A Anvisa já regularizou o produto, mas a inclusão na rede pública depende de avaliações de custo-efetividade e de um pedido formal que ainda não foi feito. Enquanto isso, a utilização do exame se limita ao setor privado.

Para os pacientes, o principal benefício do novo exame é a possibilidade de um diagnóstico mais ágil e preciso, o que pode abrir portas para tratamentos em fases iniciais da doença. Medicamentos como donanemabe e lecanemabe, disponíveis no Brasil, têm mostrado eficácia na redução da progressão da doença em alguns casos, desde que diagnosticados precocemente.

Se você ou alguém próximo tem enfrentado esquecimentos recorrentes, a orientação é procurar um profissional de saúde capacitado. Atualmente, o diagnóstico no SUS continua a ser baseado em avaliações clínicas e exames tradicionais, mas a chegada de novas tecnologias promete revolucionar o campo da neurologia no futuro.

Crédito da imagem: Foto: Pixabay — MikeCastelan (pixabay)