quarta-feira, 28/10/2026

Novo tratamento injetável contra HIV é testado no Brasil com participação de ativista

Um novo horizonte se abre na luta contra o HIV com o estudo CUATRO, que investiga um tratamento injetável inovador a ser administrado a cada quatro meses. A pesquisa, que acontece em várias partes…

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Um novo horizonte se abre na luta contra o HIV com o estudo CUATRO, que investiga um tratamento injetável inovador a ser administrado a cada quatro meses. A pesquisa, que acontece em várias partes do mundo, incluindo o Brasil, está focada em dois antirretrovirais já conhecidos: cabotegravir e rilpivirina, mas com a proposta de estender o intervalo entre as doses, potencializando a adesão ao tratamento e a qualidade de vida dos pacientes.

Na fase 3 do estudo, que busca avaliar a segurança e eficácia dessa nova abordagem, aproximadamente 564 voluntários estão sendo recrutados globalmente. No Brasil, 65 participantes já estão inseridos na pesquisa, sendo que, no Centro de Referência e Treinamento (CRT) em DST/Aids de São Paulo, o processo de triagem já foi concluído. O infectologista José Valdez Ramalho Madruga destaca que, embora mais de 50 pessoas tenham manifestado interesse, apenas 11 puderam ser aceitas no estudo.

Pisci Bruja, uma das participantes, traz uma perspectiva valiosa ao ser uma ativista e pesquisadora que vive com HIV. Ela se voluntariou para o estudo, acreditando que essa nova opção de tratamento poderá beneficiar muitos que enfrentam o estigma e os desafios associados à administração diária de medicamentos. Ao compartilhar sua experiência, Pisci ressalta a complexidade de viver com HIV e a importância de abordagens que respeitem as diferentes realidades dos pacientes.

O estudo não é um teste inédito para os medicamentos envolvidos, mas sim uma tentativa de ampliar a janela de aplicação. Com cada ciclo consistindo em duas injeções intramusculares, a pesquisa não apenas avalia a eficácia do tratamento, mas também busca entender os impactos sociais e psicológicos que a redução na frequência das doses pode trazer para os pacientes.

Ainda que o tratamento injetável já tenha recebido aprovação da Anvisa, ele não está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS). O acesso à nova terapia dependerá de uma avaliação pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e do Ministério da Saúde. Atualmente, o SUS prioriza tratamentos diários, os quais são eficazes em manter a carga viral indetectável e, assim, interromper a transmissão do HIV.

O estudo CUATRO segue até 2029, e os resultados iniciais são aguardados com expectativa. Essa nova abordagem pode representar um avanço significativo na forma como o HIV é tratado, oferecendo esperança para aqueles que vivem com o vírus e enfrentam os desafios diários do tratamento.

Crédito da imagem: Foto: Pixabay — Engin_Akyurt (pixabay)