quarta-feira, 28/10/2026

Sedentarismo entre jovens eleva índices de pressão alta e obesidade infantil

Uma pesquisa recente da Sociedade Brasileira de Cardiologia revela uma preocupante tendência entre crianças e adolescentes: a crescente inatividade física. O estudo, que analisou cerca de 6 mil estudantes em três estados brasileiros, aponta…

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Uma pesquisa recente da Sociedade Brasileira de Cardiologia revela uma preocupante tendência entre crianças e adolescentes: a crescente inatividade física. O estudo, que analisou cerca de 6 mil estudantes em três estados brasileiros, aponta que um em cada três jovens apresenta sobrepeso, enquanto 28% já enfrentam problemas de hipertensão. Esses dados não apenas ilustram um problema imediato, mas também prenunciam complicações que podem se agravar na vida adulta.

Bruna, uma adolescente que decidiu transformar sua rotina, exemplifica a importância de escolhas saudáveis. Há um ano, ela começou a se alimentar melhor e a se dedicar à prática de atividade física, indo à academia cinco vezes por semana. “Quando você entende a ciência por trás das escolhas saudáveis, isso dá um sentido, uma paixão pela alimentação”, conta Bruna, destacando que uma ação na escola foi fundamental para seu engajamento.

A mãe de Bruna, Denise, reconhece que a mudança foi um esforço conjunto. “Ela passou por um período de baixa autoestima e isolamento. A conscientização promovida pela escola fez toda a diferença”, afirma. No entanto, a realidade é que essa transformação é uma exceção em um contexto mais amplo de sedentarismo entre os jovens.

Os dados são alarmantes: a maioria dos adolescentes não se exercita o suficiente, com muitos limitando sua atividade física a apenas duas horas semanais. Além disso, 12% dos jovens passam mais de sete horas diárias em frente a telas, o que agrava ainda mais o quadro. Segundo o cardiologista Álvaro Avezum, membro da SBC, essa combinação de sedentarismo e aumento do tempo de tela é preocupante e reflete uma tendência global. Um estudo realizado em 31 países mostrou que quase 37% dos jovens de 18 a 24 anos não atingem os 30 minutos diários de atividade física recomendados.

A prevenção é fundamental. O coordenador da Sociedade Brasileira de Cardiologia alerta que 90% dos casos de infarto e AVC podem ser evitados com mudanças no estilo de vida iniciadas na infância. “Os fatores de risco que se desenvolvem na juventude têm grande probabilidade de persistir na vida adulta, aumentando o risco de doenças cardiovasculares”, enfatiza Avezum.

Bruna, ciente dos benefícios de seu novo estilo de vida, acredita que essas escolhas são fundamentais para um futuro mais saudável. “São oportunidades para construir uma vida equilibrada e com qualidade”, conclui. O desafio agora é expandir essa conscientização e promover hábitos saudáveis entre todos os jovens, antes que a inatividade se torne a norma.