quarta-feira, 28/10/2026

Temas relevantes como SUS, educação matemática, crise climática e população em situação de rua foram pouco abordados nas campanhas eleitorais.

A corrida presidencial de 2026 trouxe à tona propostas e debates entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas muitos temas cruciais para o futuro do Brasil acabaram relegados a…

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A corrida presidencial de 2026 trouxe à tona propostas e debates entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas muitos temas cruciais para o futuro do Brasil acabaram relegados a um segundo plano. Embora ambos os candidatos tenham registrado seus planos de governo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a profundidade das discussões sobre questões prementes como saúde, educação e meio ambiente foi surpreendentemente superficial, como apontaram especialistas consultados pelo g1.

Um dos aspectos mais alarmantes que não recebeu a devida atenção no debate eleitoral foi o financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS) e os desafios impostos pelo envelhecimento da população. O SUS, que garante a saúde como um direito constitucional, está sob pressão crescente, uma vez que o governo federal destina pelo menos 15% de sua receita líquida anualmente para essa área. Contudo, com a expectativa de vida em ascensão e um aumento significativo nas doenças crônicas, o especialista Rudi Rocha alerta que os próximos governos enfrentarão a necessidade urgente de mais recursos e de uma gestão mais integrada do sistema.

A situação educacional no Brasil também merece destaque. Apesar dos avanços no ensino fundamental, o desempenho dos alunos do ensino médio, especialmente em matemática, continua preocupante. De acordo com um estudo do Todos pela Educação, a formação inadequada dos professores e a falta de aplicação prática da matemática no cotidiano dos estudantes contribuem para essa defasagem. A presidente-executiva da organização, Priscila Cruz, enfatiza que sem uma abordagem mais eficaz desde os primeiros anos escolares, o Brasil pode continuar a falhar em garantir uma educação de qualidade para todos.

Além disso, o fenômeno climático El Niño e suas implicações para o Brasil não foram suficientemente discutidos nas campanhas. Cientistas alertam que o país não está preparado para enfrentar os eventos climáticos extremos que vêm se intensificando, como secas e enchentes. O climatologista Carlos Nobre destaca a urgência de políticas públicas que protejam a população, especialmente as comunidades mais vulneráveis, de desastres naturais que têm se tornado cada vez mais frequentes.

Outro tema negligenciado foi a crescente população em situação de rua. Com mais de 390 mil brasileiros vivendo nas ruas, a falta de políticas públicas efetivas para atender a essa questão é alarmante. Um estudo do Ipea revela a invisibilidade dessa população, que muitas vezes não possui sequer registro civil. A análise dos programas de governo dos candidatos mostrou que Flávio Bolsonaro não incluiu menções diretas a essa questão, enquanto Lula propõe fortalecer a rede de proteção social, mas ainda assim, a falta de um compromisso mais robusto é evidente.

Portanto, é imperativo que os temas discutidos durante a campanha reflitam as reais necessidades da sociedade brasileira. A saúde, a educação, as questões climáticas e a situação da população em rua não podem ser ignoradas. Independentemente do vencedor das eleições, é essencial que esses assuntos continuem a ser abordados com a seriedade que merecem, uma vez que impactam diretamente a vida de milhões de brasileiros.

Crédito da imagem: Flávio Bolsonaro e Lula chegam ao debate da Globo