Um novo alerta do UNAIDS destaca a preocupação com o ressurgimento da epidemia de HIV em todo o mundo, um contexto que se torna ainda mais relevante com as recentes mudanças no acesso a tratamentos preventivos. A FDA, agência que regula medicamentos nos Estados Unidos, anunciou nesta segunda-feira (2) a aprovação provisória da primeira versão genérica do lenacapavir injetável, um avanço significativo na luta contra o HIV.
Desenvolvido pela farmacêutica indiana Dr. Reddy’s Laboratories, o lenacapavir é um medicamento inovador que promete revolucionar a profilaxia pré-exposição (PrEP), sendo aplicado apenas duas vezes ao ano. Este tratamento, que tem se mostrado extremamente eficaz com uma taxa de prevenção superior a 99,9%, agora terá um custo acessível de apenas US$ 40 por ano para os cidadãos de 120 países de baixa e média renda, um passo crucial para ampliar o acesso em regiões mais vulneráveis.
A decisão foi respaldada por um acordo de licenciamento firmado em setembro de 2025, envolvendo a Dr. Reddy’s, a Unitaid, Wits RHI e a Clinton Health Access Initiative (CHAI). Este modelo de colaboração evidencia a importância de parcerias entre o setor público e privado para enfrentar crises de saúde global.
Deepak Sapra, executivo da Dr. Reddy’s, expressou orgulho pelo avanço, assinalando que o desenvolvimento de um medicamento injetável tão complexo a um preço acessível é um marco na luta contra o HIV. Philippe Duneton, da Unitaid, também enfatizou o papel vital da organização em facilitar o acesso a inovações científicas, destacando que a antecipação e o risco assumido desde o início do processo foram fundamentais para o sucesso da iniciativa.
Vale lembrar que a Gilead, criadora da versão original do lenacapavir, havia estabelecido um preço de tabela de aproximadamente US$ 28 mil por ano nos Estados Unidos, um valor que torna o acesso ao tratamento praticamente inviável para muitas pessoas. A concessão de licenças voluntárias a seis farmacêuticas, incluindo a Dr. Reddy’s, foi uma estratégia importante para democratizar o acesso ao medicamento.
De acordo com a Unitaid, já são mais de 125 mil pessoas em dez países africanos que estão recebendo o tratamento, mesmo antes da chegada das versões genéricas, mostrando que a urgência e a colaboração podem efetivamente fazer a diferença na saúde pública.




