quinta-feira, 05/11/2026

Medicamento falsificado em operação em SP é o mesmo prescrito ao papa Leão XIV; análise revela presença apenas de sódio e cloro

O recente escândalo envolvendo a falsificação do medicamento Keytruda, um dos tratamentos mais reconhecidos para diversos tipos de câncer, destaca a vulnerabilidade do sistema de saúde e a gravidade da falta de regulamentação eficaz.…

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O recente escândalo envolvendo a falsificação do medicamento Keytruda, um dos tratamentos mais reconhecidos para diversos tipos de câncer, destaca a vulnerabilidade do sistema de saúde e a gravidade da falta de regulamentação eficaz. O Hospital IGESP, em São Paulo, recebeu um frasco do medicamento que, apesar de apresentar aparência similar ao original, não continha o princípio ativo pembrolizumabe. Em vez disso, a solução era composta apenas de sódio e cloro.

A situação se tornou ainda mais alarmante quando foi revelado que uma dose desse produto falsificado foi administrada a um paciente, colocando em risco sua vida. A descoberta foi parte da Operação Laziosi, que resultou na prisão de três indivíduos suspeitos de comercializar medicamentos falsificados para tratamento oncológico. Esse episódio levanta sérias preocupações sobre a segurança dos pacientes e a integridade do sistema de saúde.

Keytruda é um medicamento vital para o tratamento de pelo menos 19 tipos de câncer, incluindo pulmão e melanoma, e é crucial para pacientes em estágios avançados da doença. No Brasil, o custo elevado, que ultrapassa R$ 20 mil por frasco, significa que muitos dependem do Sistema Único de Saúde (SUS) ou até mesmo de ações judiciais para garantir acesso ao tratamento. A situação é ainda mais crítica em um país onde o medicamento tem sido alvo de 6,7 mil ações judiciais, refletindo a luta desesperada de pacientes como Francisca Almeida, que enfrenta o câncer de pulmão.

O impacto da falsificação é devastador, especialmente considerando que o Keytruda atua no sistema imunológico de maneira diferenciada, permitindo que o corpo reconheça e combata o câncer. Com a falsificação, a chance de sobrevivência de muitos pacientes é comprometida, uma vez que eles podem não perceber que estão recebendo um tratamento ineficaz.

O problema é exacerbado pelo alto custo do tratamento, que leva os criminosos a explorar a fragilidade do sistema, visto que os medicamentos de imunoterapia têm menos efeitos colaterais imediatos, tornando a detecção de falsificações mais difícil. A indústria farmacêutica, por sua vez, continua a lucrar com a comercialização deste medicamento, que gerou vendas de US$ 31,7 bilhões em 2025, enquanto as famílias lutam para pagar pelos tratamentos.

Recentemente, o governo anunciou uma parceria com a MSD para transferir a tecnologia de produção do pembrolizumabe ao Instituto Butantan, com a esperança de reduzir os custos e ampliar o acesso ao medicamento no SUS. Contudo, até que isso se concretize, a vulnerabilidade dos pacientes e as falhas no sistema de saúde permanecem alarmantes, exigindo uma ação imediata e eficaz das autoridades para proteger aqueles que mais precisam.

Crédito da imagem: Operação contra a falsificação de medicamentos oncológicos