A recente pesquisa da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) trouxe à tona uma preocupação alarmante sobre a contaminação de maconha sintética com fentanil em São Paulo. De 65 usuários analisados, 21 mostraram vestígios do opioide em suas amostras de saliva, sem que eles soubessem que estavam consumindo essa substância altamente perigosa.
O fentanil, um opioide sintético conhecido por sua potência extrema, tem sido um dos principais responsáveis pela crise de overdoses nos Estados Unidos. Embora no Brasil o uso de opioides ilegais fosse considerado raro, esse estudo revela que o problema pode estar se expandindo. Até agora, a detecção do fentanil no país estava limitada a apreensões de drogas e casos isolados, mas essa pesquisa é a primeira a confirmar a presença do opioide em usuários de drogas no Brasil, apontando para um cenário preocupante.
A maconha sintética, frequentemente chamada de “droga K” e conhecida nas ruas por nomes como K2, K4 ou spice, não é oriunda da planta de cannabis, mas sim de substâncias artificiais que imitam o THC. A pesquisa foi realizada entre agosto de 2024 e agosto de 2025 com usuários dessa droga em tratamento, e os resultados indicam que muitos estavam inconscientes do risco que corriam ao consumi-la.
Os pesquisadores enfatizam que a mistura de fentanil com maconha sintética é extremamente perigosa, pois o opioide pode agravar a depressão respiratória causada por essas substâncias. Os dados indicam que a combinação pode não apenas aumentar o risco de overdose, mas também tornar os tratamentos convencionais, como a administração de naloxona, menos eficazes. Isso destaca a necessidade urgente de uma reavaliação dos protocolos de tratamento em emergências envolvendo drogas.
A pesquisa também revelou que, embora todos os participantes com fentanil tivessem relatado o uso de maconha sintética, nem todos testaram positivo para ela, sugerindo que novas variantes das substâncias estão sendo utilizadas e podem não ser detectadas pelos testes atuais. A situação é ainda mais preocupante considerando o fato de que as drogas K têm se tornado cada vez mais acessíveis, especialmente entre populações vulneráveis nas grandes cidades.
Essa descoberta serve como um forte alerta para a saúde pública e destaca a importância de alertar profissionais de saúde sobre a possibilidade de contaminação de substâncias, pois os usuários podem não ter consciência dos riscos associados ao que estão consumindo. O aumento da circulação do fentanil nas ruas brasileiras requer uma resposta eficaz das autoridades e um esforço conjunto para proteger aqueles que podem estar em risco.




