A deficiência nutricional é um problema mais sério do que muitos imaginam, com a Sociedade Alemã de Medicina Nutricional (DGEM) revelando que cerca de 50 mil mortes anuais na Alemanha estão relacionadas a essa questão. O médico Matthias Pirlich, especialista em nutrição, alerta que muitos indivíduos não percebem a gravidade das deficiências até que os sintomas se tornem evidentes, o que pode ocorrer meses após o início do problema.
Um dos exemplos mais alarmantes é a carência de vitamina B12, que pode ocasionar danos permanentes ao sistema nervoso, resultando em fraqueza muscular e até problemas cognitivos. Vitamina D e iodo também são micronutrientes frequentemente deficientes entre a população alemã, com implicações sérias para a saúde, incluindo problemas ósseos e disfunções hormonais.
Deficiências nutricionais não se limitam a países em desenvolvimento; mesmo na Alemanha, estima-se que um terço da população não atinge os níveis adequados de vitamina D. A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) aponta que aproximadamente 645 milhões de pessoas em todo o mundo enfrentam desnutrição crônica, enquanto dois bilhões sofrem da chamada “fome oculta”, que se refere à falta de micronutrientes essenciais, mesmo quando a ingestão calórica é suficiente.
O acesso a alimentos saudáveis é um fator crítico para combater essas deficiências. A alimentação de baixa qualidade, muitas vezes associada à pobreza, é uma das principais causas da fome oculta. Estudos indicam que famílias em situações vulneráveis tendem a consumir alimentos com alta densidade calórica e baixo valor nutricional. Além disso, condições como depressão e doenças crônicas podem agravar ainda mais o quadro de carência nutricional.
Infelizmente, a detecção de deficiências nutricionais em ambientes hospitalares é alarmantemente baixa, com apenas 1% dos pacientes internados sendo avaliados para esse tipo de problema. As consequências disso podem ser drásticas, incluindo complicações médicas e aumento nos custos do sistema de saúde. Para reverter esse cenário, as autoridades alemãs planejam implementar, até 2027, um sistema de triagem para identificar deficiências nutricionais em hospitais, seguindo o exemplo de outros países, como a Holanda.
Para prevenir a desnutrição, é fundamental promover o acesso a uma alimentação saudável. Propostas como a merenda escolar gratuita têm sido discutidas como uma medida para garantir que crianças em situação de vulnerabilidade tenham acesso a refeições nutritivas. Ao mesmo tempo, especialistas recomendam uma dieta diversificada e rica em vegetais, ressaltando a importância de consumir alimentos frescos e de temporada.
Embora a adoção de hábitos alimentares saudáveis seja crucial, é importante estar atento a possíveis deficiências. Exames de sangue podem ajudar a identificar carências nutricionais, e, quando necessário, o uso de suplementos alimentares pode ser uma solução viável para corrigir problemas detectados.
Crédito da imagem: Fome oculta causa 50 mil mortes por ano na Alemanha




